Gente! Pra mim a melhor coisa da gravidez é o parto. Nem antes e nem depois de nascer, mas exatamente o momento do nascimento.
Como fui feliz nos meus dois partos. Como é bom recordá-los.

Quando me vi grávida pela primeira vez já coloquei na minha cabeça que o parto seria normal e pronto. Durante o passar dos meses busquei todas as informações acerca do assunto. Praticamente fiz um curso de medicina paralelo.
(Serei dura no meu texto)
Mitos sobre o parto normal
Publicada em 05/06/2008 às 20h54m
Tatiana Clébicar - O Globo Online
RIO - O médico Arlindo de Almeida, da Abramge, diz que muitas gestantes acabam optando pela cesariana por medo. Na maior parte dos casos, o temor se sustenta em mitos.
A idéia de que o corpo da mulher será afetado e que as relações sexuais serão prejudicadas é totalmente falsa. Almeida também nega que a maior parte das crianças terá
dificuldade de passar pelo canal vaginal.
-- O organismo da mulher foi feito para isso. A cirurgia é que oferece riscos - diz, enumerando os possíveis problemas. -- A cesariana está associada a maior incidência de
infecções hospitalares, problemas tromboembólicos, hemorragias, mortalidade materna e aderência de tecidos.
Os benefícios do parto normal estão ligados à recuperação rápida e à possibilidade imediata de amamentação, o que favorece a interação psicológica da mãe com o bebê.
Logo o normal é o parto normal. Não sou religiosa, mas Deus sabe o que fez gente. A natureza é sábia. Há quantos anos a humanidade nasce e há quantos anos existe a cesárea?
Na minha caminhada em busca de informações descobri que os médicos brasileiros são uns frouxos. Não têm coragem para acompanhar um parto normal, não têm experiência para realizar procedimentos necessários para auxiliar um parto normal, não têm coragem de incentivar uma mulher a dar à luz naturalmente por puro medo.
Isso me deixou muito triste.
Todo mundo já ouviu dizer que fulaninha teve que fazer uma cesárea porque o neném estava sentado. Sabiam que um médico deveria ter aprendido e fazer a manobra?
Que o cordão está enrolado. Sabiam que até 3 voltas é normal estar o cordão enrolado no pescoço?
Que os batimentos cardíacos do neném está alterado. Imagina se não estaria. Até o pai que só está olhando está quase tendo uma parada cardíaca, imagina o neném que está nascendo!!!
Que a mãe não tem dilatação. Sim, eu sei que existem mulheres que não têm dilatação. É um problema. Mas deve-se esperar de 24horas a 72 horas até se ter essa conclusão e não 4 a 6 horas, o que é muito pouco.
Que o líquido da bolsa diminuiu. Sabia que ao fim da gravidez a coisa mais normal é que o líquido diminua muito. No meu segundo parto, por exemplo, no dia o líquido estava em menos de 3. O que era super normal para uma gravidez de 41 para 42 semanas. Perguntem para algum médico sobre o líquido inferior a 3 que eles já teriam cortado imediatamente.
Esses foram alguns dos exemplos que notei nas minhas duas gestações.
O que mais me entristece é saber que as mulheres de hoje é que desejam não serem mais mulheres normais para serem as mulheres cesáreas.
Por conta então do dragão que eu poderia ter que enfrentar para poder parir naturalmente fiz de um tudo durante a gravidez para facilitar a concretização do meu desejo. Foram 9 meses de pilates, fisioterapia e acupuntura .
Na primeira vez a bolsa estourou às 5h da manhã. Uma coisa super estranha. Eu estava fazendo xixi na cama, mas não era xixi. Meu marido ficou dizendo: - a bolsa estourou!
E eu não tinha muita certeza. Aí, resolvi levantar. Nessa hora tive certeza absoluta: a bolsa havia estourado. Era muito líquido e uma dor diferente das que já havia sentido na vida. Fui tomar banho e a felicidade já me contagiava. Eu, enfim, conheceria a carinha da minha pequena Catarina. Fomos calmamente para o hospital que era do lado da minha casa. Foi escolhido pela localização, pelo fato da minha médica operar nele e por ter sala de parto humanizado.
Minha médica estava de plantão noutro hospital e sairia em torno das 11h da manhã. Eu cheguei ao hospital perto das 8h. Fui atendida pelo médico de plantão, Dr. Alberto. Um boliviano que me deu canseira.
Me examinou e disse:
- Já temos 2 cm de dilatação, a bolsa está estourada e podemos ir agora para a sala de parto. Em 20 minutos fazemos uma cesárea e seu neném estará nos seus braços.
E eu:
- NÃO!!!!! Eu não quero! Eu quero parto normal!
E ele:
- Vc gosta mesmo de sentir dor? Vc não vai agüentar. Vai ficar sentindo dor durante horas de ao final vai me implorar para fazer a cesárea.
E eu:
- NÃO! Eu quero parto normal e vou sentir tudo que Deus me deu a possibilidade de sentir por ser mulher. Gostei de estar grávida desde o primeiro dia e quero sentir tudo até o final. Eu sou mulher o suficiente para parir sozinha! Não preciso de médicos para isso. Me dê licença e só volte quando for estritamente necessário.
Claro que virou uma batalha. A cada hora ele vinha com aquele sorrisinho no canto da boca, fazia o toque, relatava que tinha dilatado mais 2 cm a cada hora e me perguntava se eu já tinha desistida da idéia boba de querer parto normal. Até me contou que naquela manhã já tinham acontecidos 7 partos. Todos cesáreas!
Eu me apavorava a cada hora, pois eu queria ser a atriz principal deste momento.
Isso só me dava mais força.
Nisso, quando deu 11h da manhã a minha médica chegou. Até que enfim. Já estava achando que seria dopada para fazer uma cesárea.
Dor? Dor é dor de barriga, dor de dente, de cabeça, de ouvido. Gente! Quem falou que parto é dor?
Ou eu sou anormal?
Vou tentar explicar. Quando as “dores” começam você sente algo estranho, um desconforto, mas não entende. Depois, esse desconforto passa a ter picos maiores, mas com intervalo. Ou seja, vem a contração, dura NO MÁXIMO 40 segundos e depois um alívio e você não sente mais nada. Em alguns minutos começa novamente e dura 40 segundos e novamente o alívio. E vai nessa.
Quando você vê, a coisa pior ainda nem aconteceu (como você estava esperando) e você já está indo para a sala de parto. Depois, ainda nem doeu o tanto que você esperava e a médica diz que corou. Ou seja, o parto já está começando.
Aí você pensa: - Deve ser agora que vai doer.
E nada. É o mesmo desconforto que falei que dura 40 segundos e pára.
Eu optei por tomar anestesia ao final, quando já está com 9 para 10 cm de dilatação. Aí, não parei de sentir as contrações, mas o pico final dos últimos 10 segundos desapareceu.
Nisso, a médica diz que na próxima contração iremos fazer a força mais forte um pouco que deve nascer. E assim foi. Faltando 8 minutos para 1h da tarde doa dia 17/01/05 ela estreou nesse mundo de doidos!
Quando voltei para o quarto o tal Dr. Alberto ainda estava no andar e pediu para todas as enfermeiras virem para o corredor e me aplaudirem. Disse que não se fazem mais mulheres como eu hoje em dia. Que dos 8 partos que ocorreram no hospital naquele dia o meu foi o único normal. E que há alguns dias ele não sabia de parto normal.
Me senti a pessoa mais importante do mundo e feliz.
Meia hora depois do parto eu já estava no quarto com a minha neném linda. Aí, me deu vontade de fazer xixi. Chamei a enfermeira que ficou assustada com a possibilidade de eu levantar tão rápido e quis me proibir.
Ahhhhhhh! Não deu certo. Imagina! Eu acabava de conseguir parir sozinha! Euzinha mesma! E a enfermeira estava com medo de eu fazer um mísero xixizinho. Olhei para a mesinha do lado, meu almoço estava ali e peguei o salzinho e botei debaixo da língua para garantir a pressão e fui fazer meu lindo xixi. Já sentadinha no vasinho, olho para o lado e vejo um lindo chuveiro. Aproveitei e tomei um banhão. Delicioso! Sensação do dever cumprido. Fui embora no dia seguinte pela manhã.
É, ainda tem essa parte de eu não gostar de dormir fora de casa. E o parto normal me dá a possibilidade de eu voltar antes.
Na segunda gravidez lembro que a minha maior alegria era saber que passaria novamente pela experiência do parto normal. E assim foi. Nessa a bolsa não estourou, as contrações começaram lá pelas 17h. Liguei para a médica lá pelas 19h. Cheguei ao mesmo hospital lá pelas 22h. Dessa vez fiquei mais tempo em casa e ainda tinha o medo de encontrar o Dr. Alberto novamente. Cruzes!
Foi tudo igual. Muita calma. Muita alegria. Eu não dei um grito. A dor é totalmente suportável, principalmente porque ela passa.
Quando foi meia noite e dezessete minutos do dia 18/08/06 Cecília nasceu linda e faceira. Detalhe. No dia 18/08 eu completaria 42 semanas de gestação. Ou seja, ou ela nascia naquele diz ou ela nascia naquele dia. Ainda bem que ela se manifestou antes. Caso ela não desse sinal de querer nascer eu induziria o parto normal com ocitocina na veia. No mesmo dia eu já estava em casa.
No primeiro parto o pai foi junto e filmou e fotografou. No segundo parto, como já estava sabendo de tudo, levei o pai e a minha cunhada. Um filmou e o outro fotografou. Foi maravilhoso! Não ficou profissional, mas ficou muito legal. Choro até hoje quando revejo!
Fui a atriz principal da minha história e sinto-me muito feliz com isso. Desde então sou uma defensora do parto normal porque passei por dois e tenho a minha experiência para passar.
Hoje, ao escrever esse texto, tenho uma saudade tão grande desse momento que gostaria de passar por mais uns 18 partos. Aí, lembro que tem a parte da amamentação e desisto da idéia dos 18.
Mas confesso que acho que ainda passarei pelo menos por mais uns dois partinhos. Só para me sentir mais satisfeita ainda!
Dois sites onde você encontra ajuda para saber a verdade sobre o parto normal e cesárea:
http://www.amigasdoparto.com.br/http://www.partohumanizado.blogger.com.br/http://www.partodoprincipio.com.br/