Com quase 40 dias de nascido, João começou com um refluxo...
Em menos de 3 dias, esse refluxo recém surgido transformou-se em um transtorno!! Toda mamada, eu disse TODA, ele vomitava TUDO! Eu e o Gustavo tinhamos que tomar um banho a cada mamada dele porque saimos enxarcados...
Na epoca, eu tinha uma enfermeira em casa na parte da tarde me ajudando... e foi ela que disse: "Dona Joana, isso não é normal..."
Eu, que sou uma mãe "desencanaded" falei: "Eliane, meu filho vai ao Pediatra a cada 15 dias, quando eu for da próxima vez, na semana que vem, eu falo sobre esse refluxo... refluxo em recen nascido é normal!!!"
Mas ela, diariamente, pelos proximos 3 dias, ela me falava a mesma coisa várias vezes por dia... E como de fato o refluxo so piorava, resolvi enfim antecipar a ida ao pediatra pra ver o que era aquilo!
A Pediatra foi bem clara, disse que refluxo eh normal e coisa e tal... MAS.... que deviamos levar em consideração tambem uma doença um pouco rara chamada EXTENOSE HIPERTROFICA DO PILORO
(saiba mais aqui), que álem de rara, so acontece com MENINOS, PRIMEIRO FILHO, e a partir dos 40/45 dias...
Ela mesma ligou pra algumas clinicas e hospitais e marcou alguns exames de emergencia... No dia seguinte fui fazer um sozinha (eu e Joao), me deixaram esperando horas.... porque era encaixe...
e nisso, joão mamava no peito, e vomitava em mim.... chorava de fome, mamava no peito e vomitava mais um pouquinho...
Quanto entrei em desespero e comecei a chorar... enfim me atenderam!!!
O medico que fez o exame foi direto "Não, ele não tem nada, é so um refluxo...."
A Pediatra passou um remedio pra refluxo, comecamos a dar e em menos de 24 horas piorou MUITO o que já estava pessimo!
Dessa vez o Gu foi comigo, porque depois da experiência anterior, eu jamais iria sozinha num troço desses... Ainda bem que fomos atendidos de primeira, João fez o tal do exame, e ao inves de nos darem o resultado, pediram pra gente aguardar num banquinho do lado da sala de exames.
ESTRANHO.... sabe aquele ar de "lá vem...."?
pois é!
Nisso, toca o celular do Gu e era a secretária da pediatra, dizendo que a pediatra queria falar conosco... Gu fez cara de "hã" e simultaneamente, a pessoa que fez o exame do joão me chamou dentro da sala pra falar ao telefone com a Pediatra..
Tipo, a mesma pessoa querendo falar conosco pelo celular do gu e pelo telefone especial da sala de exames... lá vinha a bomba...
Entrei chorando ja... imaginem...
E a Dra. disse: "Então... lembra da doença rara que eu mencionei na ultima consulta? O João tem... e temos que opera-lo de emergência! Já conversei com o dr. Sabagga que é o Cirurgião Pediatra especializado em casos assim, ele opera ai mesmo no Pequeno Principe, e esta indo encontrar vocês pra explicar o procedimento. Já pedi pra minha secretaria desmarcar as minhas consultas e estou indo prai ficar com vocês"
Sim, era um BOMBA!
em menos de 1 semana, refluxo, exames e uma operação de emergencia pra consertar uma doença rara...
Eu e Gustavo erámos sozinhos em Curitiba (Os pais dele em São paulo, os meus no Rio), definitivamente ninguem pra recorer nesses casos...
Dr. Sabagga veio em menos de 5 minutos, e ainda no corredor de exames, com papel e caneta, nos explicou desenhando com a maior paciencia do mundo o que era tudo aquilo, como seria a cirurgia, etc etc etc
Em seguida nos levou pra fazer a internação do João. Eu estava arrasada.... com o coração apertadinho... nunca imaginei passar por algo assim!!!
Combinamos eu e gu de não contar pra ninguem.. porque nao ia adiantar! Achavamos que se contassemos, iriam ficar angustiados, sem ter o que fazer pra ajudar, ou insistindo que procurassemos uma segunda opiniao, quando na verdade ja tinhamos decidido, era uma cirurgia de emergencia.. quanto tempo mais demorassemos pior seria...
Em menos de meia hora mudei de ideia... fiz beicinho e pedi pro Gu: "amor, posso ligar pra minha mãe?!?" ele entendeu e disse: "pode...." e eu complementei: "liga pra sua tambem?!?!", e ele disse: "ligo..."
Fui pra fora do hospital e liguei pra minha mãe pra dar a noticia... minha mãe não titubeou e disse: "Filha, estou indo praí o mais rápido possivel" (detalhe, minha mãe estava no Rio de Janeiro no meio do expediente de trabalho dela e eu... em Curitiba)
Quando entrei, o Gu me disse que os pais dele tambem iam vir imediatamente de carro de São Paulo.
Fiquei mais aliviada... afinal de contas, os NOSSOS PAIS estariam ali para nos ajudar a SER PAIS num momento critico...
O Gu subiu com o joão pra internar e eu fui em casa buscar roupas e outras coisas que precisariamos nos proximos 2/3 dias...
No caminho, liguei pra Dery e Felipe, nossos amigos, irmãos, camaradas... nossa família curitibana, que estavam sempre do nosso lado em todos os momentos... Foram direto do trabalho pro hospital....
Voltei pro Pequeno Principe e João ja estava com uma Tala no braço pro soro e pra medicação, ja tinha sido entubado pra fazerem uma limpeza no estomago dele... quanta tristeza!!!
Pra completar, o plano de saude que a empresa do Gu tinha, so dava direito a enfermaria, e nos estavamos num quarto junto com uma menininha com rubeola ou caxumba.. nao lembro...
Primeira providencia: mudar para um quarto particular (mesmo que pagassemos à parte isso!) Nao poderiamos deixar nosso filho, de 45 dias, fazer uma cirurgia e em seguida ficar num quarto com uma outra criança doente... Ainda bem que temos condiçõe sde arcar com isso... porque ia ter sido punk!
João entrou na cirurgia as 17:00 e ainda estavamos apenas eu e gu, ninguem mais havia chegado... Demoraria uns 50 minutos na sala de operação, e nos ficamos sentadinhos no sofa aguardando... Mamae e papai chegaram, sogrinha, sogrinho.. estavam todos la antes dele sair da cirurgia!
Como é bom ter os pais por perto nessa hora!!!!
Correu tudo bem com o procedimento, o corte nao levou ponto pra nao ficar cicatriz, foi "colado" so... Voltou pro quarto... ficou com os pais e os avós paparicando ele... dando aguinha na chupeta... sendo abanado (porque fazia um calor infernal!)... Voltou a mamar 6 horas depois...
E eu me lembro que nao consegui dormir a noite, porque ficava pensando naquilo tudo e olhando ele respirar... Nossa... como dói!
Dói demais ver um filho nosso passar por algo assim... dói demais se sentir de pés e mãos atadas... Ter que tomar decisões rápidas... não é facil!
Depois disso tudo, ele nunca mais teve refluxo ou nada referente a isso. A Cicatriz diminuiu e é tão clarinha que quase sumiu ja! E é tão alegre e cheio de energia, que nem de longe lembra aquele nenem frágil deitado na cama do hospital...

Ser mãe é padecer no paraíso...