terça-feira, 8 de julho de 2008

Escravidão branca

Desculpem-me as mães que adoram amamentar, mas eu ODEIO!
Foi a pior experiência da minha vida.

Meu parto foi normal e o leite desceu rapidamente. Meus peitos de 40 passaram para 48 em 48horas. Foi impressionante. O peito começava em baixo dos braços, e eu não conseguia abaixar os braços totalmente e nem dormir, e vinha até o ossinho da clavícula. É sério! Não estou brincando. Dica: é uma boa hora para você saber que tamanho de silicone vai querer depois.
Lembro que já havia comprado um sutiã 44 porque haviam me dito que ele aumentaria muito. Tive que pedir para comprar outros dois número 46 e no segundo dia mais outros dois número 48. Depois apelei para o extensor. E ainda sim ficou apertado. Mas me recusei a comprar maior ainda. Em menos de uma semana já tinha gastado mais de R$ 200,00 em sutiã que sabia que não duraria muito.

Nas duas gravidez foi a mesma enfermeira que me acompanhou e iniciou a "bocada" as meninas no peitão.

Na primeira vez era tudo muita novidade e eu tinha na cabeça que mãe de verdade é aquela que gesta, pari e amamenta. Comecei a me sentir menos mãe. Catarina não pegava direito o peito e eu sofria.

Tenho uma dificuldade enorme em me alimentar, tanto que grávida descobri o prazer de saciar a fome. Coisa que até então desconhecia. Nisso, a gente que ouve de um tudo, ouvi que não podia tomar café, não podia comer pão francês, não podia tomar sucos de nada cítrico, não podia doce nem chocolate (essa parte eu nem sofro, não gosto mesmo). Mas eu fiquei sem nenhuma opção, dentro do meu exíguo paladar, de alimentação.

Tomava uns 5 litros de água por dia.

A cada 3 horas Catarina chorava de fome. Colocava no peito e por conta da dificuldade dela e minha demorava mais de 1 hora pendurada no peito mamando. Depois era mais 30 minutos em pé para arrotar. Nisso já soma-se quase 2 horas. Geralmente faz cocô ou xixi quando mama, então, logo após tinha que trocar. Quando terminava que a menina dormia já estava na hora da próxima mamada e eu nem tinha feito nada por mim ainda. Nem banho, nem café da manhã, nem escovar os dentes...

Eu não tenho parente algum que me ajude com minhas crias e até gosto de ser a mulher-maravilha, mas realmente fica impossível fazer tudo sozinha.

Assim, tinha dia que eu colocava a bixinha pra dormir e nem tinha dado 20 minutos ela acordava berrando. Nisso lá vinha o papai com ela no colo e dizia:
- Acho que é fome!

E eu:
- Não pode ser, essa menina acabou de mamar mais de 1 hora. Eu nem consegui tomar um banho e ela já está com fome.

Juro por Deus que odiei meu marido e minha filha quando isso acontecia. Era desesperador.
Era a própria escravidão.

Nisso, quando você está dando de mamar não pode se mexer muito, levantar e tal. O menino tem que ficar quietinho para aproveitar a refeição ao máximo. E eu lá, com sede, fome, vontade de ir ao banheiro. Horrível. Fora as vezes que meu nariz começava a sangrar bem no meio da mamada.

Tentava sempre. Cheguei a criar uma tabela com os horários das mamadas e o peito que tinha dado para não esquecer. O pediatra quando viu a tabela me achou maluca e disse que as coisas deveriam acontecer naturalmente. Mas para mim não havia nada de natural acabar de entrar no mundo das mães e já ter que ser obrigada a comer para alimentar.

E Catarina não parava de chorar. Uns diziam que era cólica e eu dizia que devia ser qualquer coisa menos fome. Ela passava o dia pendurada no peito. Não era possível uma pequena pessoa comer tanto.

Não tinha prazer em amamentar e já no primeiro mês resolvi chamar a especialista de Brasília. Uma super enfermeira que entende tudo.

O peito todo estoporado e ela me ensinou a melhorar o aspecto geral. Passei um óleo chamado dersany depois das mamadas para ajudar na cicatrização e antes de dar o peito tinha que lavar. Não podia deixar o peito abafado dentro do sutiã e tentava deixá-lo à vontade. O problema é que assim o leite pinga e eu pinguei leite por toda a casa.

Na hora que eu ía lavar para dar o peito secava com secador. Ficava lá uns 5 minutos com o secador apontado pros peitões.

Era uma coisa dar de mamar. Todo um aparato. Como demorava para "arrumar" o peito, já tinha que me preparar na primeira indicação de fome da Catarina.

Ainda teve a parte de tomar sol com os peitos nus. Nada adiantou.
Aí começaram a dizer que o meu leite era fraco e que estava secando.

Foi aí que eu desesperei geral. Pensei: - não sou mãe. Não consigo amamentar minha filha direito e não sou mãe por inteiro. A culpa começou a me perseguir.

O pediatra o tempo todo pedindo para que eu fizesse tudo dentro da normalidade. Que tinha que ser bom para as duas partes para ser prazeroso e me indicou a coordenadora dos Bancos de Leite do DF, Enfermeira Soyama, que foi até a minha casa me dar orientações.
(http://www.iesb.br/ModuloOnline/NaPratica/?fuseaction=fbx.Materia&CodMateria=3077
http://www.saude.df.gov.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=34578)
Foi muito proveitoso. Consegui dar o peito dois dias ser sofrer e depois começou tudo novamente.
Comecei a tirar o leite e a congelar e dar no copinho, para que ela não perdesse o interesse pelo peito. Que maravilha. O tempo.

Como era rápido dar no copinho. Ela mamava bastante e depois dormia mais e eu tinha mais tempo. Foi quando eu comecei a conseguir tomar 1 banho por dia e a me alimentar um pouco melhor.

Comecei a ordenhhar na mão, o que eu achava um barato, mas demorava muito do mesmo jeito. E o pior, demorava muito e não era com a Nina mamando. Eu ficava no banheiro, trancada, sozinha, ordenhando. Não havia prazer nisso.

Resolvi fazer um absurdo e comprei um MEDELA pela bagatela de R$ 618,00. Dividi em 3 vezes para não salgar meu orçamento.

Tecnologia! Eba! Aí ficou fácil. Eu dava de mamar para a bombinha elétrica. A Nina já não mamava muito no peito, ficava mais no copinho para que fosse o meu leite. E assim foi indo. Cada dia saía menos leite na bombinha. Comecei a me preocupar e conversei com o pediatra. Me receitou uns homeopáticos para aumentar o leite e outras coisas naturais. Melhorou 5%, e continuou a diminuir.

Claro. O prazer é amamentar a criança e não a bombinha. Minha cabeça ficava sempre resmungando quando tinha que ir tirar o leite. Não poderia ser diferente.

Até que tive que começar com o complemento e a culpa me dominou. Tive até que tomar uns calmantes mais fraquinhos. Eu me sentia a pior de todas. Queria morrer. Me sentia uma inútil total.

Até que meu médico me perguntou:
- Você mamou?
e eu:
- Que eu saiba não. Minha mãe me disse certa vez que não deu o peito para nenhum dos filhos.
E ele:
- E você acredita que tenha dito algum tipo de problema por não ter mamado?
E eu:
- Não acredito.
E ele:
- Então, desde a sua época e até antes a indústria tem se aperfeiçoado na produção de leite. Hoje mesmo temos leite sem lactose, de soja, Hipo Alergênico, etc.

E foi aí que comecei a destituir a idéia que eu só seria mãe de verdade se conseguisse dar o peito. Eu não consigo. Dói. Racha. Machuca.
Para mim e a verdadeira escravidão branca.

Na segunda gravidez foi a mesmíssima coisa.
Muito sofrimento. Muito danoninho. Ah! Eu odiava me esforçar tanto e no final ver aquele esforço indo embora assim numa golfadinha com sanguinho.
E consegui amamentar Cecília só até os quase 4 meses (faltava 1 semana para completar).

Hoje não sinto mais a culpa e sei que tentei o máximo. Talvez outros fatores pudessem ter colaborado para que a experiência tivesse dado certo, ms sei que a culpa não mais me persegue.
Aprendi uma grande lição com a amamentação: não sou a mulher maravilha e ela só existe de verdade na liga da justiça. Aqui, entre os mortais e normais, as coisas são assim mesmo. Cheias de erros e defeitos.
O meu, nesse caso, era não ter vocação para a amamentar.



8 comentários:

Anônimo disse...

Fê...
olhando BEM pra foto.. realmente eh IMPOSSIVEL um peito DESTE TAMANHO, caber na MINI BOCA da sua pequena...

Sem contar que o interesse dela, parece proximo do zero!

Ok, vc pariu com louvor...
nao se sinta culpada por nao amamentar "como deveria"..

Alias, ninguem DEVE nada...
Devemos apenas ser felizes!
Beijos
Jo

Bia® disse...

Palmas.
Vc disse td que eu gostaria.
É lindo, na TV, no comercial de Margarina, a famillia feliz e o neném mamando, relax...
Dói.
Vc não vive, é escravidão pura.
Ok, é uma opção sua, mas por favor?
Poderia ser mais light?

Eu entrei numa neura tão grande que meu leite secou, fiquei mals, mas, tenho culpa?
Bjs

Sam Gui Sam disse...

importante é ser feliz.. amamentando ou não!!!

parabens pelas tentativas!!! só por tentar já mostra a grande mãe q vc é!

Kika Bastos disse...

Minha história de amamentacão tem muito a ver com a sua... muito mesmo, mas foi diferente!
Também passei pelo estresse de não conseguir virar pro lado e já estava na hora da outra mamada..
também tive problemas com o meu bico, mas sei lansinoh, que ao contrário dessa que vc usou, não precisa ser removida antes do bebê mamar...
Também fui para o sutiã 48... e desisti deles... passei a usar tops
Também tive ajuda de gente especializada... amigas do peito, assim, nossa maior diferença... depois que "aprendi" da maneira que elas ensinaram, amamentar foi o maior prazer que tive na vida!

Maria disse...

Fê! Mãe da Catarina e da Cecília! Acompanhava seu blog a muito tempo atrás! Que lindo te achar aqui!
Continua com textos ótimos! Parabens! Saúde para as lindinhas!

LU disse...

RI MUITO COM O TERMO "ESCRAVIDÃO BRANCA" KKK CAI COMO UMA LUVA!
FÊ VOCÊ É ENGRAÇADA!

APAREÇO OUTRAS VEZES!
LU

Ana Cecília disse...

Aff, até que enfim alguém admitiu!!! Amamentar é, realmente, algo, no mínimo, antinatural. Talvez para as gorilas seja mais fácil, mas para as mulheres de mamilos sensíveis... Um horror.

Anônimo disse...

Adorei seu post....Passei por igual.
Cada um sabe o que é melhor... Não sei o pq de tantas insutações alheias.