sexta-feira, 4 de julho de 2008

A História de um Bebê - Por Lu Brasil

Pesquisando sobre partos na net (SIM!! Nesse blog a gente pesquisa bastante pra não sair falando besteiras por ai... rs...)
Encontrei o blog da LU BRASIL, e o post dela sobre parto me encantou!!! Sinceridade acima de tudo! Esse é o jeito da LU... Tenho certeza que vale MUITO a pena postar aqui!!!

Já que a maioria de nós fez cesária... mais um Parto Normal pra acompanhar o Relato da Fê e da Belle vai ser ótimo, não acham?

Segue o texto...
Por: LU BRASIL
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Então foi assim…Na sexta feira comecei a empacotar as coisas pra mudança, diferente do que eu normalmente faço, que é me deitar na chaise longue e deixar o mundo acabar, eu decidi ajudar, etiquetei cada caixa, me meti em tudo, e fiz questão de eu mesma embalar tudo do quarto dos meninos, já prevendo que seria mais fácil arrumar tudo de volta e com requintes de TOC que me são peculiares.No sábado a transportadora voltou e começou realmente a mudança, pensa que foi o dia mais quente do ano, não, do milênio, e que eu com certeza não tava a criatura mais doce e confortável da face terrestre.

No Domingo me vi completamente fraca e cansada, e diante de 1324 caixas, lá pelo meio dia senti a calcinha molhar - e nem era o Ga dançando pelado na minha frente -, vi que era uma quantidade do tamanho de um punho fechado, esperei.Lá pelas 15:00 senti uma nova molhada, e liguei pra dra Tia Beth.Eu não sei se vocês lembram, mas nesse post AQUI eu cito a Tia Beth como a pessoa que “me ensinou” a fazer o Enrico (o que prova que ela teve o dedo nessa historia desde cedo).Perguntei se poderia ser da bolsa ela disse que sim e me pediu pra ir no INISA, hospital que ela trabalha, numa cidade vizinha a Belém, Ananindeua, fazer um toque (os outros exames de toque foram feitos lá também).

Daí eu decidi por a mão na massa, abri caixas arrumei, abaixei, pendurei e suei, nossa como tava quente e eu suei.Mano, cunhada e minha avó vieram pra casa ajudar almoçar, e matamos uma picanha com baião de dois, eu devorei a iguaria com requintes de crueldade, nada como uma refeição leve pra quem poderia parir a qualquer momento.Passei o troféu buchuda pra ela, acho qe era isso que tava segurando menino aqui no bucho.

Daí bateu o cansaço de novo.E depois um mal humor ducacêty, meu tio e tia chegaram sem avisar e e mal olhei na cara deles, fui chamando minha mãe avisando que ia no INISA e deixa-la em casa já que ela mora nessa tal cidade vizinha. Eu era a cara do ódio no miocárdio, eu era o cão chupando manga verde e com sal grosso.

Chegamos no INISA e …a mesminha dilatação. SACOOO!Sinceramente, virei pro Ga e fraquejei, falei que no outro dia se o Dr quisesse marcar eu não teria mais forças pra dizer que não, faltavam 3 dias pra 40 semanas, eu sei que poderia esperar com segurança, mas, com tudo que aconteceu no último mês, eu tava emocionalmete destruída já. Chorei.O Ga só dizia, “Vai dar tudo certo”No caminho de volta falei que ia fazer uma última tentativa, um sexo selvagem com direito a sado-maso sexo para fins puramente terapêuticos, ele super se animou, mas quando cheguei em casa me deu coliqinhas e declinei do “progamaço”.

Dormimos, eu muito inchada e incomodada, no meio da madrugada pedi pro Ga ir dormir no quarto dos meninos, pois tava roncando e ocupando lugar demais na cama.Acordei com um pesadelo de dor as 4 da madruga, na verdade eu achava que tava pesadelando mas foi uma ultra contração que eu tive.Já desanimada o que fiz? Fui tentar dar um tapinha no vaso, peguei umas revistas de decoração e fiquei um tempão tentando afogar um moreno estiloso, aí caiu a ficha, “Estou entrando em TP, quase cago o menino”.

Comecei a contar as contrações e vi que estavam de 5/5 min, acordei o Ga pra me ajudar e …me desesperei? Me descabelei? Não, amaldiçoei o banho que tomei antes de dormir e tinha lavado o ninho de mafagafos que habita o couro do meu “celebro” cansado.Como eu ia parir assim gente?Peguei minha chapinha e fui dar um jeito na moita e gritava de lá do banheiro, “amor to tendo uma, anotaí”.Chapinha acabada, ligamos pra Tia Beth, que primeiro nos mandou ir a INISA, mas logo em seguida ligou e pediu pro Ga ir lá busca-la pra ela me examinar em casa mesmo.Pôdidixiki!Ela já chegou rindo e pedindo barbante, água quente uma tesoura, kakakaka.Fez o toque e tchananaamma, 6 cm de dilatação.

Nessa hora as contrações estavam megadoloridérrimas já, ela me ensinou a respirar de um jeito que acabavam mais rápido.Galeno perguntou se com essa dilatação ainda corria o risco de cair na faca, ela disse que sim, em certos casos não progride, ou bebe sofre…Era chegada a hora da decisão.E o Ga teve a humildade de entender que aquele momento era MEU, e me deixou decidir apoiando totalmente o que eu quisesse.Não pensei duas vezes “tia beth ,a sra vai pro INISA? Pode fazer o meu parto?”A ideia anterior era de que ela ia me monitorar até eu estar a beira de parir, daí eu chegaria na maternidade quase pondo Enrico pra fora e não teria facão que me alcançasse.

Mas foi criado um laço, de confiança, de segurança, foi ela que tirou minhas dúvidas, que me agüentava no msn, foi ela quem me encorajou, foi ela que largou o seu sono de beleza pra ir me ver sendo que eu nem era sua paciente “oficial”VAMOS PRO INISA!

Daí foi aquela coisa de por as malas no carro, me despedir do Lorenzo que dormia tranquilamente ( e chorar), deixar tia Beth na casa dela, e rumar pra cidade vizinha rezando que não tivesse engarrafamento.Eu adoro essas coisas, leveza, imprevistos, foi muito engraçado, eu falando no celular com a Danny, avisando o povo da fuga e vinha uma contração, o Ga colocava no viva voz e falava e eu me agarrava no “puta merda” do carro e toma respiração cachorrinho.Parece que não chegava nuuunca na cidade. Mas chegou.

O detalhe, a clinica atende na sua maioria paciente do SUS, chegamos lá e tinha uma ultra fila na porta, gente bem humilde, e nós chegando de carro, Ga não perde uma chance “Amor ou seremos linchados, ou eles vão achar que tu és minha doméstica”Que nada!Meus amigos não sabiam que a Dra já tinha avisado que eu ia chegar e ficavam esmurrando a porta indignados “a buxuda vai parir na ruaaa” porque eu tive uma ultramastercontração, bem na boca da fila e me escorei na parede.Miemociono com a solidariedade dos meus iguais.

Fomos levados pro apartamento, vesti a roupinha básica da mulher parideira e esperei linda e loira e … p. nenhuma, as contrações tavam de 1/1 minuto, eu rebolava, abaixava, suava, falava besteira, e esperava

Novo toque, 8 cm, tava quase.De repente eu comecei a sentir uma dor muito mais forte, eu achava que esse negocio de vontade de fazer força era balela pro treco ficar xique, naaada, parece que o corpo não obedece.

Chamaram a Dra e ela disse “ta na hora, leva ela pra sala de parto”- peraí que preciso dar uma chorada e limpar o teclado- miemocionei again.Fiz questão de ir andando, e claro que tive uma contra bem no meio do caminho.O leso do Ga esqueceu de tirar as malas do carro e não tinha roupa pra vestir o menino, lá teve que descer correndo, e depois foi preparado pra entrar na sala.
Numa das vezes que fomos lá no INISA eu perguntei se tinha anestesia e a resposta da enfermeira foi “Quando tem anestesista…”Quando ainda estávamos no quarto o Ga perguntou se tinha, eu quase matei ele de tanto ódio, eu estava contando com o efeito surpresa justamente pra não travar, não ficar nervosa com resposta negativa, afinal, o que o coração não sabe a xereca não pressente…a resposta da enfermeira foi negativa. BrigadãoSó ontem, que a Dra passou a tarde aqui em casa, que fiquei sabendo que tinha sim, que ela deixou de sobreaviso caso algo atrapalhasse o TP ou eu pedisse.Mas, falando sério, não senti a menor falta, foi tudo tão rápido que teria me arrepedido de tomar.

Me deitaram na mesa, Dra avisou que ia furar a bolsa, cara tipos me achei a própria “parideira discovery home and health”, tem coisa mais chique que isso? E quando ela estourou a coisa apertou de vez, a vontade de fazer força veio com tudo, era a hora.Ga se posicionou ao meu lado, me deu a mão, e daí pra frente as coisas são meio confusas pra mim.

Lembro de mandarem fazer força e eu fiz como se minha vida dependesse disso.Lembro que colocaram uma compressa na minha boca pra eu morder na hora da dor e força e eu mandei tirar - eu ja tinha avisado, nada de compressa molhada na testa pra não estragar a chapinha.Lembro que eu não abria os olhos porque me dava medo e também porque tinha uma janela que entrava uma luz fortíssima do sol.Lembro que quando a tia Beth tirava a mão de mim eu me sentia sozinha.Lembro que eu quase quebrei os dedos do Ga pois fiz tanta força apoiada nele que entortei a sua aliança.Lembro das palavras de encorajamento dele, fundamentais naquela hora, que eu ia conseguir, que a cabeça tava vindo, que mais algumas contrações e vinha nosso novo filhinho-Pausa para soluços-Lembro da tia Beth falando “vamos garota, isso garota, essa foi ótima, parideira, bora botar um DIU e na próxima vai ser um parto domiciliar”

Daí senti a maior de todas as dores, tava quase coroando, ela pediu pra eu desansar mas eu disse que não queria, que queria acabar logo, e contnuei, daí coroou e eu dise que tava fraca, e ela falou “ta vendo? Não quis descansar!Aí o marido disse ” to vendo a cabeça do nosso filho amor, na próxima sai”E aí saiu, dolorido, rasgando, e maravilhoso.E depois que passou a cabeça eu perguntei “O que eu faço agora?” e ela disse “Nada, agora é comigo”.

E eu desabei na cama aliviada, cansada, extenuada, meio em transe.O resto não doeu mais, ela tirou o ombro e nasceu, lindo, imenso, esperou um pouco pediu pra eu respirar profundamente pra oxigenar pelo cordão, e eu vi meu meninão moreno, minha copia de Lorenzo. Vi meu marido chorar feito menino, eu não chorei, acho que o cansaço me travou, e eu so sentia alívio e sensação de dever cumprido.

Parecia que eu poderia fazer qualquer coisa, toda vitoriosa.Tia Beth começou a me costurar e daí recomeçou a graça, Ga pedindo pra ela fazer um “xiquita” novinha e mais apertada, ela respondendo com mais besteira, e eu so fazia rir e reclamar que os pontos tavam doendo.Xereca recosntruída, me colocaram na cadeira de roda e fui pro quarto.Lá estavam mamãe, Karla (sobrinha da tia Beth), seu marido e filhinho.

Meu TP foi tão rápido que minha mãe nem chgeou a tempo de me ver antes.Quando entramos no quarto me deu um “cara branca”, avisei que ia desmaiar, e desmaiei mesmo, e nessa hora que saí de mim me lembro de nuvens fofinhas e um sapato plataforma altíssimo e dourado, será amiga dona de casa que quando eu morrer eu vou pro céu das globelezas?Aí me chamaram de volta ao mundo, ouvi meu nome algumas vezes e a voz da Dra dizendo “ta bom de álcool senão ela vai ficar viciada” kkkkk.Me colocaram na cama, me deram Enrico, que mamou de primeira, expert em peitão o menino.

Aí chegou a enfermeira com o lanche que o Ga tinha mandado comprar, e todo mundo se confraternizou com coca cola e sanduíche de queijo, inclusive eu que tava faminta do TP e não tinha tomado café.Karla querendo saber todos os detalhes do parto pra tia Beth.Minha mãe que não largava o Enrico e tava toda orgulhosa – ela achava que eu não suportaria a dor – de mim.

As 11 eu já tava no banho, que tomei sozinha, e falando sem parar.De tarde já sentada na cama de pernas dobradas, já havia ajudado a limpar o mecônio, e só não ficava andando tanto pq minhas pernas tremiam ainda da força do parto.

De noite Ga trouxe meu notebook e o modem TIM e já conectei, conversei, mandei fotos.E no outro dia , as 8:00 hs eu rumava de volta a cidade, com meu presente precioso nos braços.Valeu a pena a fuga? Completamente.Faria tudo de novo? SIMCesárea ou PN? PN na veiaDói?Muito, mas é suportável

Não tive blues, cuidei dele desde o começo, mas sinto ardor ainda da laceração, ate porque não fiz repouso e dois pontinhos estouraram, munf.

Posso dizer que foi a maior experiência da minha vida.A emoção de ter filho é a mesma da cesárea, mas a foma é 1000 vezes melhor.Ainda estou nas nuves, na verdade agora que estou curtindo pois a semana passada foi difícil por causa dos exames, icterícia, clonus e blablaba que depois eu conto.

E posso dizer – EU SOU PARIDEIRA – Afinal, eu JÁ PARI DUAS VEZES, todas as duas foram abençoadas, cada uma a sua maneira.Depois volto com as fotos “funicoqui- finiculá – o faminto, acordou.

P.S - Vamos nos concentrar no que foi e não no que poderia ter sido, sem comentaros a respeito do Dr ta?

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OBS: quem quiser ver as fotos deste post, clique aqui!

OBS2 - LU, muito obrigada por ter liberado o texto pra ser postado aqui no Papo de Mãe!

Um comentário:

Bia disse...

Sensacional.
A Lu é muito engraçada, até pra falar de parto.
E as fotos ótimas, sem frescuras.
Adorei.
Bjs