terça-feira, 1 de julho de 2008

Parir normalmente!!!! Que coisa boa!!!!

Gente! Pra mim a melhor coisa da gravidez é o parto. Nem antes e nem depois de nascer, mas exatamente o momento do nascimento.
Como fui feliz nos meus dois partos. Como é bom recordá-los.


Quando me vi grávida pela primeira vez já coloquei na minha cabeça que o parto seria normal e pronto. Durante o passar dos meses busquei todas as informações acerca do assunto. Praticamente fiz um curso de medicina paralelo.
(Serei dura no meu texto)

Mitos sobre o parto normal
Publicada em 05/06/2008 às 20h54m
Tatiana Clébicar - O Globo Online
RIO - O médico Arlindo de Almeida, da Abramge, diz que muitas gestantes acabam optando pela cesariana por medo. Na maior parte dos casos, o temor se sustenta em mitos.
A idéia de que o corpo da mulher será afetado e que as relações sexuais serão prejudicadas é totalmente falsa. Almeida também nega que a maior parte das crianças terá
dificuldade de passar pelo canal vaginal.
-- O organismo da mulher foi feito para isso. A cirurgia é que oferece riscos - diz, enumerando os possíveis problemas. -- A cesariana está associada a maior incidência de
infecções hospitalares, problemas tromboembólicos, hemorragias, mortalidade materna e aderência de tecidos.
Os benefícios do parto normal estão ligados à recuperação rápida e à possibilidade imediata de amamentação, o que favorece a interação psicológica da mãe com o bebê.


Logo o normal é o parto normal. Não sou religiosa, mas Deus sabe o que fez gente. A natureza é sábia. Há quantos anos a humanidade nasce e há quantos anos existe a cesárea?

Na minha caminhada em busca de informações descobri que os médicos brasileiros são uns frouxos. Não têm coragem para acompanhar um parto normal, não têm experiência para realizar procedimentos necessários para auxiliar um parto normal, não têm coragem de incentivar uma mulher a dar à luz naturalmente por puro medo.
Isso me deixou muito triste.


Todo mundo já ouviu dizer que fulaninha teve que fazer uma cesárea porque o neném estava sentado. Sabiam que um médico deveria ter aprendido e fazer a manobra?
Que o cordão está enrolado. Sabiam que até 3 voltas é normal estar o cordão enrolado no pescoço?
Que os batimentos cardíacos do neném está alterado. Imagina se não estaria. Até o pai que só está olhando está quase tendo uma parada cardíaca, imagina o neném que está nascendo!!!
Que a mãe não tem dilatação. Sim, eu sei que existem mulheres que não têm dilatação. É um problema. Mas deve-se esperar de 24horas a 72 horas até se ter essa conclusão e não 4 a 6 horas, o que é muito pouco.
Que o líquido da bolsa diminuiu. Sabia que ao fim da gravidez a coisa mais normal é que o líquido diminua muito. No meu segundo parto, por exemplo, no dia o líquido estava em menos de 3. O que era super normal para uma gravidez de 41 para 42 semanas. Perguntem para algum médico sobre o líquido inferior a 3 que eles já teriam cortado imediatamente.

Esses foram alguns dos exemplos que notei nas minhas duas gestações.
O que mais me entristece é saber que as mulheres de hoje é que desejam não serem mais mulheres normais para serem as mulheres cesáreas.

Por conta então do dragão que eu poderia ter que enfrentar para poder parir naturalmente fiz de um tudo durante a gravidez para facilitar a concretização do meu desejo. Foram 9 meses de pilates, fisioterapia e acupuntura .

Na primeira vez a bolsa estourou às 5h da manhã. Uma coisa super estranha. Eu estava fazendo xixi na cama, mas não era xixi. Meu marido ficou dizendo: - a bolsa estourou!
E eu não tinha muita certeza. Aí, resolvi levantar. Nessa hora tive certeza absoluta: a bolsa havia estourado. Era muito líquido e uma dor diferente das que já havia sentido na vida. Fui tomar banho e a felicidade já me contagiava. Eu, enfim, conheceria a carinha da minha pequena Catarina. Fomos calmamente para o hospital que era do lado da minha casa. Foi escolhido pela localização, pelo fato da minha médica operar nele e por ter sala de parto humanizado.
Minha médica estava de plantão noutro hospital e sairia em torno das 11h da manhã. Eu cheguei ao hospital perto das 8h. Fui atendida pelo médico de plantão, Dr. Alberto. Um boliviano que me deu canseira.
Me examinou e disse:
- Já temos 2 cm de dilatação, a bolsa está estourada e podemos ir agora para a sala de parto. Em 20 minutos fazemos uma cesárea e seu neném estará nos seus braços.
E eu:
- NÃO!!!!! Eu não quero! Eu quero parto normal!
E ele:
- Vc gosta mesmo de sentir dor? Vc não vai agüentar. Vai ficar sentindo dor durante horas de ao final vai me implorar para fazer a cesárea.
E eu:
- NÃO! Eu quero parto normal e vou sentir tudo que Deus me deu a possibilidade de sentir por ser mulher. Gostei de estar grávida desde o primeiro dia e quero sentir tudo até o final. Eu sou mulher o suficiente para parir sozinha! Não preciso de médicos para isso. Me dê licença e só volte quando for estritamente necessário.

Claro que virou uma batalha. A cada hora ele vinha com aquele sorrisinho no canto da boca, fazia o toque, relatava que tinha dilatado mais 2 cm a cada hora e me perguntava se eu já tinha desistida da idéia boba de querer parto normal. Até me contou que naquela manhã já tinham acontecidos 7 partos. Todos cesáreas!
Eu me apavorava a cada hora, pois eu queria ser a atriz principal deste momento.
Isso só me dava mais força.
Nisso, quando deu 11h da manhã a minha médica chegou. Até que enfim. Já estava achando que seria dopada para fazer uma cesárea.

Dor? Dor é dor de barriga, dor de dente, de cabeça, de ouvido. Gente! Quem falou que parto é dor?
Ou eu sou anormal?
Vou tentar explicar. Quando as “dores” começam você sente algo estranho, um desconforto, mas não entende. Depois, esse desconforto passa a ter picos maiores, mas com intervalo. Ou seja, vem a contração, dura NO MÁXIMO 40 segundos e depois um alívio e você não sente mais nada. Em alguns minutos começa novamente e dura 40 segundos e novamente o alívio. E vai nessa.

Quando você vê, a coisa pior ainda nem aconteceu (como você estava esperando) e você já está indo para a sala de parto. Depois, ainda nem doeu o tanto que você esperava e a médica diz que corou. Ou seja, o parto já está começando.
Aí você pensa: - Deve ser agora que vai doer.
E nada. É o mesmo desconforto que falei que dura 40 segundos e pára.
Eu optei por tomar anestesia ao final, quando já está com 9 para 10 cm de dilatação. Aí, não parei de sentir as contrações, mas o pico final dos últimos 10 segundos desapareceu.
Nisso, a médica diz que na próxima contração iremos fazer a força mais forte um pouco que deve nascer. E assim foi. Faltando 8 minutos para 1h da tarde doa dia 17/01/05 ela estreou nesse mundo de doidos!
Quando voltei para o quarto o tal Dr. Alberto ainda estava no andar e pediu para todas as enfermeiras virem para o corredor e me aplaudirem. Disse que não se fazem mais mulheres como eu hoje em dia. Que dos 8 partos que ocorreram no hospital naquele dia o meu foi o único normal. E que há alguns dias ele não sabia de parto normal.
Me senti a pessoa mais importante do mundo e feliz.

Meia hora depois do parto eu já estava no quarto com a minha neném linda. Aí, me deu vontade de fazer xixi. Chamei a enfermeira que ficou assustada com a possibilidade de eu levantar tão rápido e quis me proibir.
Ahhhhhhh! Não deu certo. Imagina! Eu acabava de conseguir parir sozinha! Euzinha mesma! E a enfermeira estava com medo de eu fazer um mísero xixizinho. Olhei para a mesinha do lado, meu almoço estava ali e peguei o salzinho e botei debaixo da língua para garantir a pressão e fui fazer meu lindo xixi. Já sentadinha no vasinho, olho para o lado e vejo um lindo chuveiro. Aproveitei e tomei um banhão. Delicioso! Sensação do dever cumprido. Fui embora no dia seguinte pela manhã.
É, ainda tem essa parte de eu não gostar de dormir fora de casa. E o parto normal me dá a possibilidade de eu voltar antes.

Na segunda gravidez lembro que a minha maior alegria era saber que passaria novamente pela experiência do parto normal. E assim foi. Nessa a bolsa não estourou, as contrações começaram lá pelas 17h. Liguei para a médica lá pelas 19h. Cheguei ao mesmo hospital lá pelas 22h. Dessa vez fiquei mais tempo em casa e ainda tinha o medo de encontrar o Dr. Alberto novamente. Cruzes!
Foi tudo igual. Muita calma. Muita alegria. Eu não dei um grito. A dor é totalmente suportável, principalmente porque ela passa.
Quando foi meia noite e dezessete minutos do dia 18/08/06 Cecília nasceu linda e faceira. Detalhe. No dia 18/08 eu completaria 42 semanas de gestação. Ou seja, ou ela nascia naquele diz ou ela nascia naquele dia. Ainda bem que ela se manifestou antes. Caso ela não desse sinal de querer nascer eu induziria o parto normal com ocitocina na veia. No mesmo dia eu já estava em casa.

No primeiro parto o pai foi junto e filmou e fotografou. No segundo parto, como já estava sabendo de tudo, levei o pai e a minha cunhada. Um filmou e o outro fotografou. Foi maravilhoso! Não ficou profissional, mas ficou muito legal. Choro até hoje quando revejo!


Fui a atriz principal da minha história e sinto-me muito feliz com isso. Desde então sou uma defensora do parto normal porque passei por dois e tenho a minha experiência para passar.
Hoje, ao escrever esse texto, tenho uma saudade tão grande desse momento que gostaria de passar por mais uns 18 partos. Aí, lembro que tem a parte da amamentação e desisto da idéia dos 18.
Mas confesso que acho que ainda passarei pelo menos por mais uns dois partinhos. Só para me sentir mais satisfeita ainda!

Dois sites onde você encontra ajuda para saber a verdade sobre o parto normal e cesárea:
http://www.amigasdoparto.com.br/
http://www.partohumanizado.blogger.com.br/
http://www.partodoprincipio.com.br/

9 comentários:

Kika Bastos disse...

UI!

É, Fê... sou a favor do parto normal, tô adorando essas campanhas que começaram a aparecer, incentivando o parto normal, também acho que no Brasil, banalizaram demaisssssss a cesárea, MAAAAASSS..... vamos devagar com o andor!
Meu bebê era pélvico, e, mesmo que eu não tivesse tido uma infecção, não me submeteria MESMO à manobra! Passar 72 horas esperando uma dilatação?? Pra quê?????
Não! Sei que Deus fez tudo direitinho... mas a medicina também ajudou bastante! não é a toa que tantas mulheres morriam durante o parto antigamente e hoje, isso quase não é contabilizado.

Por isso tudo... fico no meio do caminho! Não tão radical quanto vc, mas apoiando o parto normal sim!
Se no meu próximo filho, eu tiver condições de fazer um parto normal, vai ser lindo! Mas, se algum problema me impedir, vou pra minha velha cesárea de guerra! e não serei menos feliz por isso!

bjs

Jo disse...

Eu acho que o maior problema esta na banalização de qualquer coisa, ou na obrigatoriedade que se coloca.

Acho um absurdo por exemplo, nos estados unidos e na europa, eles tentarem o parto normal a qualquer custo, até o ultimo segundo. Acho que algumas vezes, é um sofrimento extra desnecessário tanto pra mãe quanto pro nenem.

Assim como acho um absurdo, obstetras que tentam convencer alguem que quer parto normal, a fazer uma cesária porque "é mais rapido".

Sou a fazer do direito de escolha SEMPRE, em qualquer situação (inclusive a de aborto - ok, sei que serei apedrejada agora!)

A Tal "manobra" a qual vc se referiu, deve sim ser aprendida por medicos... mas sera que todas as mulheres que precisam da tal manobra estao dispostas a passar por ela? Sinceramente? EU que odeio o "bico de pato" das simples consultas ginecológicas, nao consigo nem imaginar alguem enfiando, mão e braço pra virar o nenem dentro de mim...

Nao me sinto menos mulher por ter feito uma cesária... E as mães que adotam, porque nao puderam ter filhos, nao passaram nem por normal e nem por cesária... são "menos mães" por isso?

Se a gente fosse igrnorar os avanços da medicina (e a cesária é um deles), não usariamos penicilina, ainda morreriamos de sarampo e outras doenças que hoje são banais...

Moderação, bom senso e opção pessoal. São os três pilares de uma decisão bem tomada!
:)

Beijos
Jo

Fernanda disse...

Pessoaaal,
Ei, eu não sou a favor da mulher morrer no parto não. Viu?
Acho que é normal ter medo do desconhecido. Sei que há os casos que ou faz a cesárea ou um dos dois,ou até os dois, morrem. Não é isso que estou falando.
O que acredito é que as mulheres estão deixando se levar pelo medo de algo que nem sabem ao certo oq ue é. E como eu tapei o nariz, respirei fundo e mergulhei no parto, posso dizer que não é algo anormal ou ruim.
Eu respeito a todas as opiniões e decisões. Jô, tb sou a favor da liberdade de escolha. Até mesmo do aborto (vamos ficar uma do lado da outra para desviarmos das pedras?).
O que desejo recomendar a todas as mulheres grávidas ou que ainda estarão grávidas é que vale a pena vencer o medo, caso isso te faça mais feliz!
Se o medo for maior, escolha o melhor!

E viva a divergência de opiniões! :)

Fernanda disse...

É preciso partir para estar junto e nós que passamos nove meses gerando uma vida em nosso ventre quando chega na hora do parto da uma sensação de partir e querer ficar, de querer ver o rosto da vida gerada e ao mesmo tempo um aperto no coração por ter que se despedir daquela barriga que por muitas vezes nos incomodou muito mais do que emocionou rs.
Em qualquer tipo de parto essas sensações sempre estarão presentes.
Ultimamente tenho escutado falar muito do parto domiciliar inclusive hoje vi uma reportagem sobre o parto domiciliar. Sou contra o radicalismo porque acho que o importante é nascer com segurança, nascer bem. E não vem dizer que é dor de cotovelo porque meu parto foi cesariana que não é não rsrs, eu queria ter tido parto normal, queria sentir a "dor" de nascer mas não adiantava insistir tive que me conscientizar que todos os problemas que tive durante a gravidez não me levariam nunca ao parto normal e fui pra minha cesariana sem culpa alguma. Foi programado, foi lindo, incrivel emocionante e inesquecivel. Porque percebi que não importa como nasce, ninguém é menos mãe por causa do tipo de parto.

Beijos
Fer ;D

Keli disse...

Nossa qure lindo, como eu queria ter tido a coragem de ter um parto normal.
Parabéns para você!!!
Beijo
Keli e Bia
www.blogdaanabeatriz.blogger.com.br

Mamãe Thatha disse...

Muito bom o debate viu!!!!
Parto normal tem que acontecer quando é a melhor saída... porém a cesárea é uma possibilidade mais segura em alguns casos... e ai, não há discussão, a vida e o bem estar da mulher e do bebê o principal!!!
AMO O BLOGGER DE VCS!!! PARABÉNS!!!

beijosss de uma futura mamãe que fará de tudo pra fazer um parto normal!!!!

Pâmela disse...

Olá Fê Lohn!

Adorei o relato de sesu partos! É lindo ver uma posição assim!
Concordo com vc que mtas mulheres tomam a decisão da cesárea pq o médico recomenda então fazem, e estes médicos de hoje andam meio folgados e preguiçosos, afinal um parto normal demora muito mais para se acompanhar e demanda muito mais paciência do que a cesárea que é rápido e logo ele se livra de mais uma paciente.
Sou noivinha ainda, mas desejo muito ser mãe e quero muito que seja pelo parto normal e como outra mãe daqui, tb tenho horror da agulha e pretendo me munir do necessário para passar por esta experiência sem anestesia... Tudo isso pq quero viver o momento por completo, quero o melhor para o tão sonhado filho, mas é claro que sem correr riscos nenhum!
As pessoas confundem muito a defesa pelo arto normal com objeção pela escolha da cesárea, mas não é isso, não é mesmo?! É uma simples campanha pelo que é mais simples, menos perigoso (em circunstâncias normais é claro), e melhor para mãe e bebê (já comprovado, dito e acertado) tanto na recuperação, qto na interação pós-parte entre os dois tão primordial para o bebê que bruscamente é separado daquela com quem ele sempre esteve ligado desde que existiu!!!

Parabéns!!!

Bjosss
Pam

Anônimo disse...

Fernanda, não sejas tão radical contra a uma cesariana. Você mesma nasceu de um parto de cesariana, onde sua mãe e você estavam praticamente morrendo juntas. Se não fosse as mãos daquele bondoso medico que fez tudo tão rápidamente para salvar mãe e filha, hoje você não estaria escrevendo em um site.

Anastácio Soberbo disse...

Parabéns pelo Blogue.
É muito bonito, gosto do que leio e vejo.
Um abraço desde Portugal